Dia Internacional da Mulher

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, uma notícia vinda do Rio de Janeiro nos confronta novamente com uma realidade dolorosa: uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo após ser atraída para um encontro por um jovem em quem confiava. O que parecia um encontro entre conhecidos transformou-se em uma emboscada marcada por violência física e sexual. Outras denúncias semelhantes começam a surgir, indicando que este pode não ser um caso isolado.

Casos como esse exigem mais do que indignação. Eles nos convocam a refletir sobre as marcas profundas que a violência sexual deixa na vida de quem a sofre.

Do ponto de vista psicanalítico, a violência sexual pode constituir uma experiência traumática. Freud nos mostrou que certos acontecimentos ultrapassam a capacidade psíquica de elaboração no momento em que ocorrem. Quando a vítima ainda encontra desmentido ou silêncio ao redor, o trauma pode se intensificar, instalando vergonha, isolamento e sofrimento psíquico.

Por isso, a existência de espaços de escuta é fundamental.

O Grupo de Atendimento Clínico — GAC — criado em 2021 por psicanalistas vinculados à IPA, oferece atendimento voluntário a pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente da violência intrafamiliar. Em 2023, ampliamos esse trabalho com o GAC II, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência.

Transformar o ato em palavra é um passo essencial para romper ciclos de violência que atravessam gerações.

Neste 8 de março, que possamos seguir trabalhando para enfrentar a misoginia estrutural ainda presente em nossas sociedades e cuidar da vida psíquica das mulheres, crianças e adolescentes.

Rosa Sender Lang 
Psicanalista(SPRJ)
Analista de Bebês, Crianças e Adolescentes(IPA)  
Representante Cowap Brasil
Fundadora do GAC I e II

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