30 de março - Aniversário de Melanie Klein

MELANIE REIZES KLEIN, filha de Moriz Reizes e de sua segunda mulher, Libussa Deutsch, nasceu em 30 de março de 1882, em Viena. Portanto neste ano de 2024 completaria seu 142o aniversário. Seu pai tinha 50 anos quando ela nasceu. Melanie era a caçula entre quatro irmãos e teve três filhos do casamento com o químico Arthur Stephen Klein. Iniciou sua primeira análise com Sandor Ferenczi quando tinha 34 anos, continuando sua segunda análise com Karl Abraham, em Berlim, quase dez anos depois. Em 1926, com 44 anos, mudou-se para Londres. Faleceu em 22 de setembro de 1960, aos 78 anos de idade.

Sua obra representou a continuidade de alguns aspectos teóricos de Freud (inconsciente, pulsão de vida e de morte sensu latu, transferência, ...), por um lado. E a criação de novas teorias, com suas decorrências clínicas, por outro lado, a começar pela identificação projetiva e tudo o mais que significa uma forma primitiva e incontornável, para iniciar o processo de alteridade. O complexo de édipo precoce, a psicanálise infantil (inibição, temor à castração, ansiedades, formação de símbolos, sublimação, com toda originalidade técnica e interpretativa do brincar, análoga ao sonho freudiano), posições esquizoparanóide e depressiva, mecanismos de reparação, a originalidade do seu conceito de luto (para Freud, ligado ao princípio de realidade; para Klein, ligado a uma reedição), a aptidão para a identificação aponta para direções primitivas e de profundidade até então inexploradas no terreno e campo psicanalíticos. Em 1946, ao trazer a questão clínica dos mecanismos esquizóides, das relações objetais esquizóides, situações clínicas de divisão, integração e idealização, Melanie Klein aprofunda suas contribuições em direção à necessidade de controlar os outros como impulso desviado para controlar algumas partes do ego; o acentuado artificialismo e falta de espontaneidade (distúrbio da relação com o eu), leva a uma violenta destruição de uma parte da personalidade sob a pressão da ansiedade e culpa.

O conceito de inveja primária despertou e desperta, até hoje, admiradores e críticos severos, numa demonstração de desdobramentos teóricos, a partir de sintonias e divergências criativas. Mas não se nega, ainda hoje, a existência de um “vínculo invejoso” e de uma relação bipessoal nessas circunstâncias, onde o reasseguramento não se torna recomendável, no processo analítico, segundo a própria Klein.

Já lá no sonho de Fritz, Melanie Klein começa a delinear suas ideias de pulsão e relação de objeto, quando explica que o carro grande é o papai, o bonde é mamãe e o carrinho é ele mesmo, e que ele se colocou entre o papai e a mamãe porque queria muito afastar o papai, para ficar sozinho com a mamãe e fazer aquilo que só o papai podia fazer. As relações de objeto colocam a interiorização, a estruturação e a reativação destas primeiras relações no centro das formulações motivacionais, estruturais e clínicas. Para Klein o que uma criança interioriza não é uma imagem da representação do outro (o objeto), mas a relação entre o Eu e o outro, sob a forma da imagem ou da representação do objeto. Surge a questão: são as relações de objeto vistas como susceptíveis de substituir as pulsões como sistema de motivação do comportamento humano? 

O trabalho teórico-clínico de Klein encontrou desenvolvimento em Bion, sobretudo nas conceituações deste, até 1960, com a psicanálise de psicóticos; em Winnicott, na diferenciação entre relação de objeto e uso do objeto; em Tustin, na clínica e teorização do autismo; em Meltzer, nas ideias de claustrum; em Steiner, nos escritos sobre refúgios psíquicos, além de outros.

Os autores atuais que trabalham sobre autismo consideram o caso Dick de Klein a primeira descrição clínica sobre este quadro clínico tão atual, mas sem citar esta nomenclatura. O sistema kleiniano faz parte do edifício teórico-clínico da psicanálise até nossos dias.

Bruno Salesio S. Francisco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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