Como tornar-se Psicanalista?

Desde a criação da Psicanálise, a formação de psicanalistas baseia-se em três atividades complementares e indissociáveis: a análise pessoal conduzida por colega comprovadamente experiente e competente, o analista didata; o estudo da teoria durante quatro anos de seminários e grupos de estudos, num total aproximado de 960 horas, e a prática clínica supervisionada, durante 200 a 300 horas, em média. Esse tripé oferece àquele que a busca uma formação baseada em experiência vivida.
Nos institutos de formação, ele(a) entra em contato com outros analistas que já passaram ou estão passando pelo processo, desenvolve sua análise pessoal, participa de seminários teóricos e clínicos e tem seu trabalho supervisionado, apresentando trabalhos com temas em Psicanálise que mostrem sua prática clínica, para então receber o título de psicanalista.

A formação de cada psicanalista é um processo permanente e singular, que sempre se amplia no diálogo com os textos clássicos e os atuais, produzidos por colegas, e na experiência pessoal vivenciada com seus analisandos. Um psicanalista não orienta, não aconselha, não diz o que é melhor ou pior para a vida de ninguém. Nem se arroga ao direito de saber o que deva ou não ser feito pelos seus pacientes. Para tanto é fundamental que o psicanalista possa diferenciar o que é seu do que é do outro, ou seja, que não confunda os sofrimentos e alegrias de seus pacientes com os seus próprios sentimentos e pensamentos.

Para isso é essencial que o analista se submeta – ele próprio – a uma psicanálise com um analista mais experiente que lhe permita alcançar o melhor autoconhecimento possível. Este trabalho, conhecido como análise didática ou análise de formação, pode transcorrer por mais de oito anos, com frequência de três a quatro sessões por semana e não raro, anos depois de terminar esse processo, muitos analistas retornam ao divã para uma reanálise.

Este texto é parte da matéria “Sobre a Regulamentação da Psicanálise”. O texto completo está disponível no site da FEBRAPSI: https://febrapsi.org/publicacoes/noticias/nota-a-respeito-da-regulamentacao-da-psicanalise/

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