O que é Psicanálise?

Por José Francisco Rotta Pereira, Diretor do Instituto.

Se tivermos de fixar uma data, a maioria dos autores localiza o surgimento da Psicanálise no amanhecer do século XX, O ano de 1900 traz à luz da ciência o desvendamento dos sonhos, magistral e iluminada obra de Freud, A Interpretação dos Sonhos. A partir de um metodológico estudo dos símbolos, Freud esquematiza por primeira vez o que ele chamou de Aparelho Psíquico, um inicial esboço do que seria e como funcionaria nosso mundo interno.

A Psicanálise nasceu do estudo de pacientes que acusavam sofrimento na alma humana, ou no mundo das emoções ou no seu psiquismo. Cento e vinte anos depois esses mesmos conceitos seguem vigentes, o que aponta a singularidade desta disciplina que partindo do corpo físico e suas pulsões adentra-se na dimensão simbólica das emoções e do pensamento humano. O farol que Freud inaugura para iluminar o comportamento humano, tanto individual como social e o psicossoma, é o conceito de Inconsciente. Ele não se detém apenas em descrever este conceito, mas estabelece uma série de leis sobre seu funcionamento e estrutura. Até então o pensamento humano trilhava as sendas da consciência, herança filosófica, e aqui então sofre esta quebra de paradigma abrindo um ilimitado universo de pesquisa.

De sua vertente clínica original a Psicanálise aportou duas singulares abordagens à compreensão do desenvolvimento humano na sua ontogênese e no funcionamento social. Localizou no primeiro ano de vida a estrutura básica do indivíduo e a partir daí acompanhou todo o desenvolvimento descrevendo as etapas por onde transita essa progressão do humano desde o fetal até a velhice.

Quanto ao social, Freud postula que o funcionamento do grupo humano é semelhante ao funcionamento de sua psicologia individual. Freud postula que o nosso mundo interno se estabelece a partir das percepções e identificações com aqueles que se ocupam com a criança (família) e, por extensão a sociedade passa a constituir uma superestrutura continente, uma grande família onde os conflitos, os investimentos pulsionais e as tensões nos relacionamento guardam uma simetria com o histórico de cada um.

Não poderíamos deixar de assinalar também a abordagem psicossomática. Freud insistiu até em seus últimos escritos que a Teoria Psicanalítica era uma teoria instintiva. Queria dizer que primeiro estava o corpo, o soma, e que o psíquico apenas se instalaria no indivíduo milhares de anos e infinitas gerações depois. O conflito básico, segundo ele, era o conflito entre as duas categorias de instintos, Instinto de Vida e de Morte. Assim como o mundo simbólico da fala e dos sonhos e o comportamento aportam informações sobre o indivíduo, o corpo físico em suas manifestações, normais e patológicas é fonte importante para a investigação do funcionamento humano.

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